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Sexo em números

Livro britânico mostra o que a estatística nos diz sobre o comportamento sexual

“Quando é que vou usar isso?” É uma pergunta que o aluno faz com frequência ao professor de matemática. Agora, o professor pode responder: “Quando o assunto da conversa for sexo.”

Saiu no Reino Unido o livro Sex By Numbers [Sexo em Números], de David Spiegelhalter, professor de estatística na Universidade de Cambridge. As pesquisas do tipo “eu pergunto, você responde” mostram que, em média, ao longo da vida os homens (heterossexuais) tiveram duas vezes mais parceiras do que as mulheres (heterossexuais) tiveram parceiros. Contudo, numa população estável, na qual o número de homens é igual ao de mulheres, isso é impossível.

Imagine uma fileira de n pontos em cima: são as mulheres. Imagine uma fileira de n pontos embaixo: são os homens. Una com uma linha a mulher e o homem que já fizeram sexo. Daí, não importa como faça isso, o número médio de parceiras dos homens é idêntico ao número médio de parceiros das mulheres.

Alguém mente nessas pesquisas. Aliás, quando o assunto é sexo, alguém está sempre mentindo. “Sexo é um ótimo tópico de pesquisa, inclusive para matemáticos”, diz David. “Há muita coisa acontecendo, mas é difícil saber o que está acontecendo, e de que jeito, pois acontece entre quatro paredes, e as pessoas relutam muito contra dizer o que realmente está acontecendo.”

Na verdade, David escreveu um livro sobre estatística. Seu propósito é dar ao leitor a capacidade de interpretar melhor as informações de cunho estatístico que aparecem em jornais e revistas, e em documentos de empresas e governos. “Uso o sexo apenas como exemplo.”

No caso da média de parceiros, por incrível que pareça, não são os homens que se gabam de mais parceiras do que tiveram; talvez as mulheres não mintam — talvez omitam. “Isso me surpreendeu”, diz David. “Mas as mulheres não acreditam que a pesquisa é totalmente confidencial.” (Ao dizer essa frase, David se referia a uma pesquisa conduzida pelo ministério da saúde do Reino Unido.)

Alguns dados do livro são curiosos. Contagens sérias, feitas com método de excelente qualidade, mostram que, ao fi m de uma guerra, nascem muito mais meninos que meninas. “Por algum mecanismo sobre o qual ainda não sabemos quase nada”, diz David, “até certo ponto as mulheres selecionam o sexo do bebê de acordo com as circunstâncias.”

David menciona um dado frequente na internet: os homens pensam em sexo uma vez a cada 7 segundos. “Alguém inventou esse número e ele passou a ser mencionado”, diz David. “Mas ele não tem nenhum fundamento científico, e mostro no livro como é difícil obter esse tipo de informação.”

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