# Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

> O Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências no Pisa 2025, mantendo estabilidade enquanto a média da OCDE recuou. Apesar da redução da distância histórica em relação aos países membros, o desempenho brasileiro permanece abaixo da média internacional nas três áreas avaliadas.

*Revista Cálculo · Métodos de Estudo · 10 de setembro de 2026 · Davi Quaranta*

No Pisa 2025, o Brasil manteve resultados estáveis enquanto a média da OCDE recuou, encurtando a distância histórica. O patamar, porém, segue baixo: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências, todos abaixo da média dos países membros.

A redução da distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não significa, necessariamente, que o Brasil tenha avançado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países da organização recuou, especialmente nos últimos anos.

O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países. Aplicado a cada três anos, avalia conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Com os resultados de 2025, similares aos de 2022, o Brasil segue no grupo abaixo da média da OCDE nas três disciplinas: 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. A média de 23 países da OCDE ficou em 466, 469 e 486, respectivamente. Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso.

A distância, no entanto, já foi bem maior. Entre 2006 e 2025, a diferença de desempenho em relação à média da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em matemática (39 pontos) e de 113 para 77 em ciências (36 pontos).

"O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem", diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.

Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), avalia que parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática. Ele alerta para gargalos como o elevado percentual de estudantes abaixo do nível básico e a presença muito pequena nos níveis mais altos de proficiência. "Em ciências, por exemplo, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos. Quase cinco vezes o aprendizado médio associado a um ano escolar, que é de aproximadamente 20 pontos", afirma.

Jalman Lima, mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, pondera que é positivo o Brasil não ter acompanhado a intensidade de queda observada em diversos países, mas essa estabilidade ocorre em um patamar muito baixo: somente 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, o mínimo. "Muitos ainda têm dificuldade em interpretar uma situação, decidir com autonomia, qual o conhecimento matemático utilizar. Ao mesmo tempo, praticamente não temos estudantes nos níveis mais altos de proficiência. E isso é um grande problema. É um desafio nas duas extremidades", observa.

O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou com 30.140 estudantes, sendo 72,4% de escolas da rede estadual e 96,9% em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam na 1ª ou 2ª série do ensino médio. Nesta edição, o foco foi o letramento em ciências. Sobre o uso de celulares, 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições, ante 37% em 2022. A média da OCDE é de 49%. Segundo o MEC, o percentual está alinhado às evidências de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais.

A chamada "leitura apressada", quando o estudante lê rapidamente mas de maneira imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE também identificou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informações, relacionar diferentes fontes e pensar criticamente sobre o que se lê. Além disso, 28% dos estudantes disseram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências, e 46% já utilizam Inteligência Artificial semanalmente ou mais para estudar.

Felipe Proto argumenta que a recomposição das aprendizagens continua sendo fundamental. "É preciso considerar também que esta é uma geração que teve sua trajetória escolar diretamente impactada pela pandemia, com efeitos sobre a aprendizagem que não desaparecem de um ano para outro", diz. Para ele, mais do que a posição relativa no ranking, o Pisa reforça a urgência de transformar a melhoria da aprendizagem em prioridade nacional.

Rodrigo Fulgêncio propõe uma reflexão sobre se os estudantes e suas formas de aprender mudaram mais rapidamente do que as práticas escolares conseguiram acompanhar. "O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio atual é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade, avaliar informações, construir raciocínios e utilizar a tecnologia para ampliar, e não substituir, o pensamento".

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Fonte (canonical): https://www.revistacalculo.com.br/metodos-de-estudo/brasil-melhora-desempenho-escolar-longo-prazo-mas-patamar-baixo/
